Autoridades municipais lançaram nesta quinta-feira (2) um alerta inédito à população sobre o risco de intoxicação por metanol — uma substância altamente tóxica usada em solventes industriais, mas que tem sido detectada em bebidas alcoólicas falsificadas em diversas partes do Brasil
O PROCON Municipal de Mandaguari, por meio de seu diretor Thiago Álvaro da Silva, publicou a Recomendação Administrativa nº 10/2025, estabelecendo medidas emergenciais para bares, restaurantes e comerciantes da cidade. O documento chega em meio a uma série de mortes e notificações em estados vizinhos, atribuídas ao consumo de destilados adulterados.
Embora o Paraná não registre até agora casos confirmados, a Secretaria Estadual de Saúde (SESA) mantém o estado em alerta máximo diante da possibilidade de circulação de lotes contaminados.
A ameaça invisível
O metanol, também chamado de álcool metílico, pode causar cegueira irreversível, danos neurológicos graves e até a morte, mesmo em pequenas quantidades. Os casos mais recentes de adulteração foram identificados em bebidas de alto valor agregado, como gin, vodka e whisky.
Os sintomas de intoxicação podem demorar de seis a 24 horas para se manifestar, o que aumenta o risco de consumo repetido antes da procura por atendimento médico. Entre os sinais mais comuns estão visão turva, dor de cabeça intensa, náuseas, vômitos e confusão mental. Em situações mais graves, pacientes apresentam convulsões e falência respiratória.
O que observar antes de comprar
Em nota, o PROCON orienta consumidores a desconfiarem de preços muito abaixo da média de mercado, checarem com atenção lacre, tampa e rolha das garrafas e analisarem os rótulos, que muitas vezes apresentam erros de português, falhas de impressão ou ausência de informações básicas, como o número de registro no MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).
A recomendação também reforça que toda compra de bebidas alcoólicas deve ser acompanhada da Nota Fiscal, documento essencial para rastrear a procedência do produto.
Responsabilidade do comércio
Para os fornecedores, o alerta determina a adoção imediata de protocolos de rastreabilidade: somente adquirir bebidas de distribuidores formais, recusar garrafas com indícios de violação e suspender imediatamente a venda de lotes suspeitos.
Caso as medidas não sejam cumpridas, os estabelecimentos ficam sujeitos a multas pesadas, suspensão das atividades e outras penalidades previstas no Código de Defesa do Consumidor.
Um risco nacional que chega ao interior
O alerta de Mandaguari reflete um problema de escala nacional. Segundo notas técnicas divulgadas pela Secretaria Nacional do Consumidor (SENACON), já foram registradas 43 notificações em diferentes estados, incluindo óbitos confirmados. A prática de adulteração, segundo especialistas, aproveita-se do alto valor de destilados importados e da falta de fiscalização em pequenos pontos de venda.
“Nosso dever é agir preventivamente. O risco é coletivo e imediato”, afirmou Thiago Álvaro da Silva, diretor do PROCON local. “Não estamos diante apenas de uma fraude comercial, mas de uma ameaça concreta à vida e à saúde pública.”
Como denunciar
O PROCON Mandaguari solicita que consumidores que identifiquem irregularidades em bebidas ou apresentem sintomas após a ingestão denunciem imediatamente aos órgãos competentes: PROCON Municipal, Vigilância Sanitária ou Polícia Civil.
“Cada denúncia pode evitar que novas vítimas sejam expostas ao risco invisível do metanol”, reforçou a recomendação.



