A Justiça decretou a prisão preventiva de Daniel Peres Alcazar, ex-servidor público de Mandaguaçu, acusado de promover ataques sistemáticos nas redes sociais contra autoridades, servidores municipais e moradores da cidade. A decisão, proferida no dia 24 de novembro de 2025, atende a uma representação da Polícia Civil e a parecer favorável do Ministério Público, que apontaram fortes indícios de crimes como difamação qualificada, injúria racial, importunação sexual e associação criminosa.
Segundo a investigação, Daniel utilizava montagens criadas por inteligência artificial para expor vítimas ao ridículo, publicando conteúdos ofensivos envolvendo magistrados, servidores municipais e integrantes da gestão pública. Há ainda registros de envio de material de conteúdo sexual à principal vítima — que procurou a delegacia após receber, via WhatsApp, um vídeo manipulado envolvendo sua imagem e a de seu filho menor, fato que nunca ocorreu. A análise técnica apontou que o número responsável pelo envio das mensagens estava em nome do investigado.
Apoio de terceiros e ataques recorrentes
De acordo com a Polícia Civil, o ex-servidor já havia sido alvo de diversos boletins de ocorrência por ataques semelhantes. As investigações indicam que ele contava com apoio financeiro e operacional de pessoas ligadas à antiga administração municipal, que teriam repassado informações e incentivado as ações.
O relatório policial também destaca que as publicações envolviam difamações, montagens, ofensas e ameaças direcionadas a servidores, secretários e até magistrados do município, sempre com o objetivo de desacreditar autoridades e causar instabilidade política.
Mandados de busca e apreensão
A Justiça autorizou mandados de busca e apreensão em três endereços:
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residência de Daniel Peres Alcazar;
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residência de Silvana Christina Vieira Cadamuro, ex-secretária de Educação;
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residência de Isabela Marques Saes, ex-secretária de Saúde.
Durante as diligências, foram apreendidos celulares, notebooks e outros dispositivos eletrônicos que podem conter provas das publicações, conversas, montagens, transações financeiras e organização dos ataques. A decisão autorizou o acesso completo ao conteúdo desses aparelhos, seguindo as regras de cadeia de custódia, para garantir a integridade das evidências.
A justificativa para as buscas, segundo o mandado, é evitar a destruição de provas digitais, consideradas de fácil manipulação. A juíza responsável também orientou as equipes a limitar a apreensão apenas aos itens diretamente relacionados à investigação.
Motivos da prisão preventiva
A magistrada determinou a prisão preventiva ao considerar o risco de reincidência, a possibilidade de fuga, o fato de Daniel estar em local incerto e a necessidade de garantir a ordem pública. Segundo a decisão, medidas alternativas não seriam suficientes para impedir novos ataques ou interferências na investigação.
Com a prisão, a Polícia Civil deve avançar na análise do material apreendido para identificar outros possíveis envolvidos e determinar a extensão da atuação criminosa atribuída ao investigado.



