Sarandi cobra Casa de Custódia e critica recomendação do Ministério Público

A polêmica em torno da construção da Casa de Custódia em Sarandi voltou a ganhar força nesta semana após a recomendação do Ministério Público do Paraná (MPPR), que sugere a suspenção da desapropriação do terreno no Jardim França e instaurou procedimento de investigação sobre o caso. A medida gerou inquietação em uma cidade que convive com uma cadeia superlotada, localizada em plena região central, sem estrutura adequada e representando risco para moradores e comerciantes.

Na sessão da Câmara Municipal realizada nesta terça-feira (26), mais de 500 pessoas participaram de uma manifestação considerada histórica, cobrando dos vereadores e das autoridades públicas a retomada imediata da obra. Representantes de diferentes bairros se uniram em apoio à construção da Casa de Custódia, reforçando o desejo coletivo de ver a cadeia transferida para fora do centro.

O debate, contudo, foi marcado por momentos de tensão. Os vereadores Bianco (PT) e Thay (PL), contrários ao projeto, foram fortemente pressionados pela população presente. A declaração de Bianco, que sugeriu deslocar a obra apenas “500 metros” do local original, foi recebida com indignação e protestos. Para os moradores, a fala soou como um desrespeito: “500 metros não mudam nada; isso não é compromisso com o Jardim França, é palhaçada”, reagiram manifestantes.

Os moradores também citaram o caso de Apucarana como exemplo a não ser seguido. No município vizinho, propostas de presídios foram barradas no passado, resultando em uma cadeia hoje superlotada, com 450 presos para apenas 80 vagas, segundo dados da OAB e da Defensoria Pública. Para os sarandienses, adiar ou inviabilizar o projeto em discussão pode gerar um problema semelhante — ou ainda maior — para a segurança pública local.

Embora o MPPR tenha papel central na fiscalização da legalidade dos atos administrativos, manifestantes cobraram que a instituição também leve em conta a urgência da situação enfrentada por Sarandi e não permita que a suspensão da obra se transforme em um obstáculo permanente.

O que está em jogo, destacaram líderes comunitários, é a construção de uma unidade moderna, segura e capaz de desafogar o sistema carcerário, retirando a atual cadeia do centro da cidade e devolvendo tranquilidade à população. A mobilização popular deixou claro que Sarandi não aceita novos adiamentos e exige providências concretas para solucionar um problema que já se arrasta há anos.