O escândalo bilionário que envolve a usina de Itaipu revelou um rombo de aproximadamente R$ 333 milhões previsto para 2026, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
O resultado causou surpresa, já que se esperava que a empresa encerrasse o ano com as contas equilibradas após quitar o financiamento de 50 anos que bancou sua construção. O problema está ligado à existência de um orçamento paralelo e ao uso de recursos da hidrelétrica em convênios e patrocínios sem relação direta com a geração de energia, somando R$ 43,8 milhões entre março de 2023 e outubro de 2024.
Sob a gestão de Ênio Verri, indicado pelo governo Lula, esses gastos aumentaram significativamente, gerando suspeitas de uso político e favorecimento partidário. Ao mesmo tempo, o governo paralisou a criação da Comissão Binacional de Contas, prevista desde 2021 para fiscalizar os gastos da usina e garantir maior transparência.
O processo está parado na Casa Civil desde 2023, sob a justificativa de que é preciso concluir a renegociação do Anexo C do tratado com o Paraguai antes de avançar. Essa demora impede o Tribunal de Contas da União de exercer controle direto e mantém bilhões de reais sem fiscalização efetiva. Para 2025, mais da metade do orçamento da Itaipu, equivalente a cerca de R$ 9 bilhões, está classificada na categoria genérica “outros”, sem detalhamento público.
Essa parcela representava apenas 8% em 2016 e hoje já alcança 56%, o que especialistas chamam de uma verdadeira “caixa preta” na gestão financeira da empresa. Parte desses recursos tem sido usada para obras e eventos como a COP30, em Belém, onde a usina investirá cerca de R$ 1,3 bilhão em projetos urbanos e ambientais. Entre 2023 e 2024, convênios e contratos somaram aproximadamente R$ 4,5 bilhões, sendo 90% administrados por aliados do Partido dos Trabalhadores.
A combinação de déficits, patrocínios políticos e ausência de fiscalização transformou Itaipu em um dos principais focos de debate sobre transparência e governança no setor energético brasileiro.



